domingo, 29 de novembro de 2015

POR QUE TE PERGUNTO PORQUÊ



Por que te escondes da realidade?

Por que chamas à mentira de verdade?

 

Por que dizes sim, quando queres dizer não?

Por que asfixias a razão?

 

Por que calcorreias caminhos errantes?

Por que embriagas o teu ego, de loucuras extravagantes?

 

Por que vendes o teu carater e personalidade?

Por que te fizeste servo da maldade?

 

Por que te vergas ao jugo do materialismo?

Por que ignoras a nobreza do altruísmo?

 

Por que ostentas um olhar de desdém?

Por que negas o pouco que te pedem?

 

Por que adulteras a tua essência?

Por que te negas a ouvir a voz da consciência?

 

Por que ergues o facho da hipocrisia?

Por que alimentas a desarmonia?

 

Por que dás guarida a vingança?

Por que roubas aos outros a esperança?

 

Por que negas um abraço e um sorriso?

Por que é disso que mais preciso.

 

Por que apontas o dedo acusatório?

Por que negas-me a mão, para sair deste calvário?

 

Por que tanto narcisismo e indiferença?

Por que sustentas uma vida de aparência?

 

Por que ages como sendo o dono do mundo?

Por que julgas o teu semelhante por vagabundo?

 

Por que tanto egoísmo e excentricidade?

Por que essa postura de falsidade?

 

Por que tanto egocentrismo?

Por que não assumes o teu caminhar para o abismo?

 

Por que essa prepotência e arrogância?

Por que o teu gáudio cruel de ausência?

 

Por que palavras de rancor?

Por que ignoras o amor?

 

Por que empunhas a espada incandescente?

Por que a tua voracidade cega e urgente?

 

Por que ostentas o preconceito?

Por que esmagas o meu peito?

 

Por que me lançaste para o desfiladeiro?

Por que negas o teu irmão de corpo inteiro?

 

Por que jorras tanto cinismo?

Por que amordaças o humanismo?

 

Por que não abres mão da covardia desse pedestal?

Por que não adotas uma vida de verdade e leal?

 

Por que tens pavor da humildade?

Por que recusas o valor da amizade?

 

Por que não soubeste viver?

Sim, porquê?

Só te resta agonizar de remorso na hora do teu morrer!

 

 

DIOGO_MAR

domingo, 13 de setembro de 2015

TEMPO PARA O TEMPO



Os meus passos, perdem-se na imensidão das palavras, que me transportam até ti.

Onde estás?

Deixo que seja a cadência dos dias a esculpir na pedra bruta do tempo o amor, que cinzelado, lhe empresta, uma geometria de candura inigualável.

É nesta alma forjada na fogueira do amor incandescente, que lavram no meu peito lavaredas demolidoras de ansiedade.

Crepitam lágrimas de uma paixão voraz.

Tenho medo!

O seleiro do amor inusitado que por ti sinto, não se pode esvaziar.

Ó corpo de siara, olhos de amoras, cabelos de urze.

Quero ser o teu sabiá o maestro da orquestra, que inunda os teus ouvidos com serenatas ébrias de mel.

Faço um pacto com o vento, que detenha a cadência do relógio do campanário.

O amor não tem hora, nem pressa.

O amor Sou eu, és tu, somos nós!

 

DIOGO_MAR

domingo, 5 de julho de 2015

PORQUÊ!




No desfiladeiro da vida, flutuam palavras de breu, enfermas de silêncio, escarpadas pela ausência.


Não sei de mim!


Aliás, se eu de mim soubesse, escrevia-te com esta mão trémula de desejo, no vitral da janela a prece, onde te suplico o sol do teu sorriso a aurora do teu olhar.


Aqui estou debruçado, no parapeito da saudade, com olhos rasos de melancolia a contemplar a caducidade dos dias.


O relógio morreu!


Os ponteiros foram fossilizados pelo tempo implacável e voraz.


Ficou tanto por dizer!


O arrependimento, esbofeteia-me o rosto alagado de lágrimas covardes, que regam as páginas dos dias despojados de esperança, servidos numa bandeja de um futuro cheio de promessas de amanhã.


O tempo estragou o sonho e coloriu de cinzento a flor dos dias!


 


Diogo_Mar

quinta-feira, 30 de abril de 2015

PERPÉTUO



Perdeste-te na bruma dos dias, transformada em silhueta de saudade oculta por de traz das vestes da ausência.

Lavro a terra com palavras agastadas regando-a com a chuva do desespero.

Desembainho a espada manchada pelo sangue do sofrimento.

Confino-me a ínfimas partículas de cinzas varridas pelo vento da amargura.

Dedilho as notas desafinadas da melodia do desalento lúgubre.

As forças, esbatem-se na derrota da cumplicidade dos dias, exalando o incenso da mistificação.

O sol, vestiu-se de fuligem imanada pela minha alma petrificada.

Agora já só resta, uma amálgama fossilizada nas estrias da memória emoldurada por uma submissão mutilada, por um ascetismo impiedoso.

Em vão, abraço o inatingível, com o mais louco fervor de ser feliz.

O grito lancinante é amordaçado, pela implacável resignação que me asfixia.

As mãos trémulas, evidenciam a minha fragilidade, entregue a um destino debruado pela conivência castradora.

Não sei de mim!

 

DIOGO_MAR

terça-feira, 17 de março de 2015

DESPOJOS



Aqui estou, no leito da saudade, mutilado pela dor da ausência.

O meu sangue, submerge a minha alma de langor, no pranto da noite castradora e infinita, vestida de um breu cruel e gélido.

A minha voz mortiça, sussurra a submissão de uma vida madrasta.

Escrevo com a mão implacável do tempo, nas páginas sombrias e agastadas do desencanto.

Crepitam sonhos órfãos de amargura, esboroados numa alquimia reduzida a cinzas.

Resta-me um amor expropriado, que jaz num adiamento perpétuo.

Sou decepado, na minha mais pura essência, jogado as mãos do carrasco de mim próprio.

O meu corpo é varrido pelos ventos agrestes que ceifam a minha identidade, Torturada pelo ascetismo impiedoso.

Que cortina é essa, que me ofusca a luz da vida, sepultando-me na caverna da incerteza, de nunca me possuir.

 

 

DIOGO_MAR

quarta-feira, 11 de março de 2015

A BRISA DA SOLIDÃO



Esvaem-se do meu peito, palavras aladas a perderem-se, neste céu de anil vestido.

O horizonte, afaga um mar ludibriante, de raiva e docilidade.

As minhas palavras, são aniquiladas pelas trevas do desespero, emolduradas pelo silêncio a percorrer esta imensidão, retalhada pela cálida e melancólica ânsia, de voar nas asas do vento cioso de desejo.

Agora, sou uma amálgama, fecundada num emaranhado de vontades órfãs, a desdobrar os dias, sem encontrar o norte.

Aqui fico imóvel, contemplando o convés de sonhos náufragos, encalhados na bruma da ilusão, desabrochada numa epopeia vestida de tirania, de mãos implacáveis, que trespassam um peito despojado, brotando um tenebroso silêncio de ausência.

 

DIOGO_MAR

sábado, 28 de fevereiro de 2015

ORIGENS



Ali estavam as paredes imponentes rudes e toscas, resistentes à erosão dos anos, da casa onde germinaram todos os meus sonhos.

Transpiravam suor acre-doce, das raízes da memória dolente a venerarem o passado.

Amores e desamores, derrotas e vitórias, aos ombros derreados do velho gigante do tempo, de cabelos imaculados de sabedoria.

Eu, sentado à janela de sacada, debruçado no parapeito da melancolia, com olhar rasgado, sobre a imensidão daquele vale a segredar-me, lendas e preces, onde crepitam histórias de vidas a perder de vista, entrecortado pelo bailado das águas cristalinas do rio, ora manso ou feroz, mensageiro de abundância, ou fome, esculpido nos rostos encortiçados, pela labuta e angústia, que é a incógnita da generosidade divina das colheitas.

Folheio os dias desbotados, afagando-os com mãos de mundo, gretadas pela enxurrada da saudade a diluir-se, por entre os dedos finados de ânsia.

Repouso sentado à soleira do tempo, embalando histórias de uma travessia, que se eclipsou em cinzas deste peito, escavado por uma lânguida recordação.

Agora já só restam páginas impercetíveis, no rumorejar da saudade.

 

 

DIOGO_MAR